25/02/2015

Morar sozinho pela primeira vez


Sabem quando você começa a sentir, constantemente, que já não pertence ao lugar em que está? Come se, não só você sentisse incomodada, como também sente que incomoda as pessoas desse lugar.. Sabem como é, sentir em um tipo de liberdade limitada? Como um pássaro ao qual lhe cortaram as asas, ou o prenderam em uma gaiola qualquer.. ''Pássaro'' que outrora fizeram- no voar alto demais e, tadinho, acabou ferido ao tentar pousar em segurança.. (Metáforas á parte, conheçam minha história, de como foi sair da casa dos pais pra estudar fora pela primeira vez!)

   A experiência (part 1)
Morar Sozinha já não é nenhuma novidade para mim - como disse aí á cima com a metáfora do passarinho. Imagine se o tal passarinho fosse eu - ou você, no caso, se esse texto te ajudar em algo - O que eu quis dizer com "já ter sido livre e terem me feito voar alto demais?" É sobre isso que vou falar pra vocês, agora!

É como se eu estivesse passando por isso pela segunda vez. Da primeira vez que saí de casa, eu não sabia nada da vida, era imatura (17 anos),  eu  realmente não sabia nada da vida mesmo, porque não me deixavam saber, eu mal saia de casa,  não tinha permissão para sair com as amigas.. ter namorado.. Enfim,  eu me vi, um dia, saindo de casa para ir morar noutro estado, em casa de pessoas totalmente desconhecidas pra mim. Mas eu fui assim mesmo.. Com a cara e a coragem, apesar de tudo.

Os primeiros 6 meses lá, foram um misto de Alegria e Saudades de casa.  Pense numa pessoinha com o psicológico abalado, sou eu. Nunca havia saído de casa, nem pra ir numa cidade vizinha - Acredite!  Foi dureza pra mim. De repente eu me vi em uma vida totalmente diferente, lugar novo, clima, pessoas.. Tudo tão diferente de tudo que havia vivido, até então. 

 Naqueles meses eu aprendi muito, lá.  Tive de reunir toda a coragem que tinha para poder seguir em frente. Tinha uma ânsia de aprender coisas novas - sair de casa sozinha não era problema pra mim -, aprendi tão rápido a pegar os ônibus certos, conheci pessoas que foram legais comigo, fiz bastante amigos, enfim..  Já gostava demais daquele lugar! No fundo, no fundo, a única coisa que não me deixava totalmente feliz era a falta que sentia da família.. De casa.. 

 As coisas estavam boas demais - a fora a questão da saudade -, e então começaram os desentendimentos, as cobranças por parte dos donos da casa que eu estava. Eles começaram a reclamar das contas.. E eu, na minha, percebia que as indiretas eram pra mim. Eu tive mesmo que acabar mudando da casa deles pra uma outra, foi quando eu decidi que ao terminar o semestre, nas férias do meio do ano,  iria transferir o curso para uma cidade mais perto de casa, no mesmo estado. Dessa forma resolveria o problema com distancia.

*** 
  Mudando de cidade (part 2)
 (hihi) Gente, agora é pra rir, mas na época era de dá dó! 
Na cidade nova - capital do estado em que moro -,  foi bem mais difícil de me adaptar. Não sei bem porque, mas não conseguia me sentia bem, lá. Era como se eu estivesse ainda mais sozinha - o que de fato estava. E por um breve tempo de 8 meses, eu tive de ficar na companhia de mim mesma.

E olha que, minha própria companhia nessa época era um pesadelo. Eu tinha muito medo - muito  muito muito medo mesmo -, apesar de me distrair facilmente durante o dia, estudando e cuidando das coisas de casa. A parte do anoitecer começou a ser um tormento pra mim,.. Se eu precisava sair de casa para ir à padaria, que fosse – Deus me livre! -, era como se fosse passar mal bem ali no meio da rua e não ia dar tempo de chegar em casa á salvo (não estou brincando, é sério). Adivinha? Tudo culpa do pânico que estava desenvolvendo.  

(Socoooooorrooo!!!)

Depois de certo tempo, vieram umas meninas que moravam no interior também e queriam dividir o aluguel. Claro que minha mãe de cara aceitou, afinal as despesas para uma só pessoa (eu) eram grandes demais, visto que era ela quem bancava tudo pra mim.

 De inicio, essa convivência era  tão estranha, era como se tudo que era meu, não fosse mais, entende? Eu me sentia estressada e sobrecarregada o tempo todo porque era responsável por aquele lugar – e as meninas não ajudavam muito, a não ser nas despesas com as compras da casa e aluguel, claro.  Então eu era tipo a mãe, a chata, a mandona.. E tudo mais.. Em outras palavras, fazia praticamente de tudo pra tentar manter aquilo como um lar.. 

E não demorou muito tempo, logo veio mais uma pra completar o time – e mais bagunça pra mim, Oh Deus! - A essa altura o pequeno apartamento de 2 quartos, já tinha um colchão inflável na sala. Era praticamente uma república, isso sem falar nos parentes que ainda vinham por causa da piscina do condomínio. Era como estar em um BBB da vida real – SÉRIO! - Aquele povo todo ás vezes era divertido, mas outras vezes eu só queria ficar quietinha no meu canto.. Sem bagunceira.. Sem AUÊ.. Se eu pudesse escolher, gostaria que ninguém mais estivesse lá.

No meio de tudo isso, lá estava eu no 4º período do curso (não imagino como consegui aguentar tanto). Foi quando cheguei ao meu limite.

 A Crise Existencial

Contudo já haviam se passaram 2 anos e meio de brigas sem fim, alugueis atrasados, energia cortada, e nem se fala nas visitinhas desagradáveis? (Apareciam ''amiguinhos'' de todos os lados par ''ajudar'' a comer toda a pouca comida que tínhamos na dispensa/geladeira, deixando a gente ir dormir, ás vezes tendo comido apenas um pão ou um nissim miojo) Pode acreditar! Né moleza, não, gente.. Esse negócio de dividir apê..

Junte isso tudo e acrescente.. um relacionamento - á distancia – acabado (Graças á Deus por essa parte!), amizades falsas, o mundo desabando ao seu redor e voce se ferrando em todas as disciplinas de um curso que nem tinha mais certeza se queria fazer. Se fosse a coisa certa a estar fazendo, imagino que certamente estar passando por tudo isso, valeria á pena no fim de tudo. Mas não era o caso. (O Que você faria se estivesse em meu lugar?)

(Aí meu Deus do céu! Como era bom ficar em casa sozinha, haha
 me sentia o Macaulay Culkin no filme Esqueceram de mim)  
***

Voltando pra casa dos pais (part 3)

Depois de certo tempo voce percebe que talvez voltar tenha sido sua única saída. Mas que á partir do momento  em que saiu de casa pela primeira vez,  voce mudou muito, já não é a mesma de outrora; Aquela menininha que aos 17 anos saíra de casa pela primeira vez. Cheia de sonhos, ilusões, expectativas.. Talvez voltar tenha sido necessário quando se viu sem rumo, numa vida sem nenhum sentido, com todos os sonhos deixados de lado,  só para viver uma vida que outra pessoa havia sonhado. Que sentido havia em fazer isso? Perguntava-se o tempo inteiro.. 

Li alguma vez em algum lugar, que cada pessoa que passa por nossas vidas, leva um pedaço de nós, principalmente aquelas que nos causaram alguma dor. Uma vez que esse pedaço de nós é tirado, ele jamais volta a caber naquele mesmo lugar, porque mudamos o tempo todo.. Hoje não somos os mesmos de ontem, nem amanhã seremos os mesmos de hoje - Só Deus permanece o mesmo.  E aquele espaço deixado por aquele pedaço arrancado de nós, é preenchido por algo novo. É o simples caminhar da vida. Ela é assim.. Pense em quando somos feridos, ou em quando alguém precisa fazer uma cirurgia para retirar algum pedaço ruim que poderia acabar afetando tudo o que ainda funciona.. Uma vez foi retirado, não se pode coloca-lo de volta.. Invés disso, o tempo é encarregado de fechar aquele espaço aberto..Vazio.. E é este mesmo tempo que te trará a cura.. Concertar o que foi preciso ser arrancado de nós. Mesmo que não o compreendemos de inicio,  a gente  acaba aprendendo que deve-se sempre esperar o melhor, ser positivo, seguir em frente de cabeça erguida.. Devemos agradecer a Deus pela vida preciosa que temos, mesmo que uma vez ou outra, ela precise tirar de nós alguns pedaços. A dor. Dor é da natureza humana,  faz parte de ser humano.. É viver.  

Fico por aqui, se você leu até aqui, espero que tenha te ajudado em algo! Sinta-se á vontade pra comentar se ja tiver passado suas experiencia própria de morar fora, pela primeira vez longe dos pais, e como foi pra voce, okay?! 

4 comentários:

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  3. Pegar suas asas e voar para qualquer lugar, onde você só tem a si mesma. Que experiência e tanto Yasmim! Logo, a vida te ensinou do jeito duro a ser madura... Ela sempre faz essas coisas, nos leva pra onde quer e faz o que quiser para nos ensinar a sua lição. Texto incrível!

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  4. Ownt, Larissa! Brigada, Amada!
    Ensinou mesmo, na verdade foi duro, mas agora quee passou.. E eu consegui refletir tudo isso como um aprendizado, fiquei contente por ter sido assim.. :') Agora que já tive experiencia, me sinto mais confiante pra que eu possa seguir adiante.. Tipo recomeçar algo novo, algo melhor, agora.. Daí não vai ter mais aqueles dúvidas, incertezas.. inseguranças.. - Bom, terá, um pouco, mas creio que com certa diferença da primeira vez! Talvez pela maturidade que adquiri "Sem querer querendo.. haha'' Como tu bem dissestes <3

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