03/02/2017

Ela Não Era Uma Gatinha Qualquer (SHANDYA)


  SAUDADE QUE EU GUARDO NO PEITO


Hoje (2 de fevereiro) ela completaria seus 4 aninhos..E muito provavelmente eu tenha começa a escrever esse post desde o dia que eu a perdi (11 de outubro de 2016) mas, somente hoje eu consigo reunir as palavras e ter coragem de escrever tudo o que senti esses meses que se passaram, tudo que eu gostaria de dizer a ela, sabe?! Eu sei, que pra quem não teve um animalzinho assim tão especial na vida pode não entender, ou pensar "ela era só um animal" mas, pra mim, não. Pra mim ela era alguém muito mais que da família, muito mais que especial, MINHA FIAZINHA, como eu costumava chamar. Era aquela serumaninho que estava sempre presente, que não me deixou sozinha em nenhum momento enquanto esteve aqui ao meu lado. E não é exagero! Eu realmente passei por um batalha comigo mesma e contra o mundo e tudo que eu era, eu tive que abrir mão de uma vida que outras pessoas haviam decidido por mim, eu tive que tirar forças de onde eu nem imaginava que eu tinha, e só Deus sabe, só ele entende perfeitamente. Mas se voce me perguntar onde entra esse serumaninho incrível (Shandya) nessa história? Eu vou lhe responder: DESDE O COMEÇO DE TUDO.

Parece que foi ontem que eu lia Alice no País das Maravilhas enquanto passava as férias de 2013 na casa dos meus pais (eu estava estudando fora, numa outra cidade) e eu já tinha meu primeiro filhíneo, o Shandy que hoje já tem seus 10 anos (Sim, ele é um senhor fatinho idoso!), mas eu pensava "Quero uma gatinha fêmea e vou colocar o nome de Dináh, assim como a gatinha da Alice" E advinha? Lá fui eu e minha mãe na casa de umas pessoas que tinham muitos filhotes de gatinhos, chegando lá eu vi ela, e os gatinhos não eram muito mansos, mas aquele narizinho diferente me chamou a atenção, assim uma quase gatinha siamesa. Eu trouxe ela pra casa e a partir desse dia nasceu nossa amizade e companheirismo. 

(Nossas primeiras fotínhas) 💬

 Depois o nome dela acabou mudando, porque só eu chamava "Dináh" logo minha mãe começou a chamar de Shandya (o feminino de Shandy, nosso outro gato) e assim ficou o nome da minha mais nova filha e companheira. E a nossa jornada começou aí, quando eu e ela fomos pra outra cidade em que eu estudava. Naquele período, foi o mais difícil de enfrentar, eu já estava com minha cabeça tão confusa, no fundo já sentia que queria trancar a faculdade mas não tinha coragem, o medo de enfrentar o pessoal de casa era maior, e eu continuei, tentando empurrar como dava. Ela junto comigo. 

Naquele período também aconteceram encontros e perdas necessárias para que eu mudasse as coisas que não estavam tomando um caminho certo na vida. Eu me decepcionei com pessoas, desfiz amizades, terminaram relacionamentos que só existiam pra mim (pra outra pessoa, eu não era única, e meu coração ingênuo não tinha noção do quanto), e depois de ter adotado minha nova filhinha naquele inicio de período, a coisa mais precisa que podia ter acontecido foi o meu encontro com Deus. Eu havia passado 3 dias com pessoas incríveis em um retiro da Comunidade Católica da Renovação Carismática Shalom.. E foi como renascer das cinzas, foi como o primeiro sopro do Espírito (ou talvez o primeiro que eu realmente tivesse prestando atenção, e de coração aberto pra ouvir o que Deus tinha pra me dizer), muita coisa mudou á partir daquele encontro, daquele dia. 

Eu acho que era a força que eu precisava, a resposta de Deus pra o que eu realmente devia fazer em relação á minha vida, o meu futuro (sobre a carreira e vocação). Me afligia muito, muito mais do que eu queria. E, depois de um tempo, lá estávamos nós, EU E MINHA FILHINHA de volta pra casa dos meus pais, de mudança. Eu havia decidido que se não fosse pra seguir meus sonhos, eu não queria continuar com a pressão de outras pessoas pra viver as expectativas delas. Mesmo que fossem a minha família.

(Meus primeiros netinhos) 💬
DE VOLTA A CASA DOS PAIS (ENFRENTANDO A DEPRESSÃO)

Algum tempinho depois, eu fui vovó pela primeira vez (sim, minha filhinha havia crescido e teve seus baby cats) Como havia falado no começo, nada foi fácil á partir dessa mudança. Mas uma das coisas que me salvou e me deu forças, foi ela, e seus pequenos presentinhos (filhotinhos). Na época eu estava em casa, mas que coisa estranha, não me sentia em casa :/ Minha mãe estava com raiva e tanto os familiares quantos os amigos na rua me enchiam de perguntas o tempo todo.. A ponto de eu, que já tinha predisposição a ficar depressiva, comecei a me isolar de tudo e as vezes nem saia mais de casa, tive crises de ansiedades constante, e comecei a ter Síndrome do pânico a noite quando dormia acordava assustada.. Não deu outra, foi a primeira vez que procurei tratamento, apesar de já apresentar sintomas desde antes dos 15 anos.

Naquele inicio de tratamento e vida nova, eu me sentia leve, sentia que embora ferida e frágil por ter que lutar contra a opinião e questionamentos de todos ao redor, eu sabia bem no fundo que era de Deus, e que Ele estaria comigo e me ajudaria a passar por tudo. Então eu enfrentei! Quando me senti melhor, eu comecei a sair e fazer novas amizades. Eu tinha meus netinhos em casa (meu maior motivo de alegria) mas eu também tinha um grupo de amigos na igreja da minha cidade, onde Deus acabou me apresentando pessoas incríveis por lá, e minha melhor amiga. 

OS ANOS 2014 E 2015 (TEMPO DE ESPERAS)

Eu fui catequista, eu consegui fazer minha crisma, eu fazia aulas de violão e também ganhei um emprego (esse emprego me ajudou a pensar no que eu faria da minha vida dali no ano seguinte), e nesse ano também surgiu a necessidade de escrever, escrevi mais que qualquer coisa na vida. E em uma tarde sem nada pra fazer lá na secretaria da catedral onde eu estava substituindo alguém que havia ganhado neném, eu tive a ideia do blog. Eu li muito aquele ano, foi a partir do blog que as leituras começaram a ser frequentes e não pararam.. Isso foi o pontapé pra eu começar a pensar em voltar a estudar. Só que dessa vez, eu ia lutar por algo que realmente queria, e não me importava se tivesse que ser sozinha.

Em 2015, eu não tinha mais emprego, pois só precisaram de mim 6 meses. Minha melhor amiga humana começou uma facul e teve que morar em outra cidade, eu precisava esperar pra fazer as provas no fim doo ano, pois na metade do ano, não havia pensado no que faria. Assim  fiz inscrição para o Enem daquele ano e prestei vestibular na estadual do Maranhão pra Letras/Inglês. Eu não falei pra quase ninguém, eu só fui fazer a prova e algo dentro de mim estava feliz.. Eu tinha certeza que dessa vez ia conseguir. então no inicio de 2016  lá estávamos novamente EU E MINHA FILHA, em uma nova cidade, recomeçando.. tentando fazer o que era certo dessa vez. (Eu consegui passar na estadual e dessa vez meus pais não iriam pagar, só me ajudariam com as despesas de casa e aluguel)

(na nossa nova casinha, na nova cidade, vida nova) 💬
CURSO NOVO, VIDA NOVA, CAMINHOS TRAÇADOS POR DEUS

E nosso primeiro ano realizando aquele sonho antigo que eu guardei no coração, foi, cheio de dúvida, e teve um pouco de medo do futuro, do que estava por vir.. de morar sozinha novamente.. Mas minha companheirinha estava lá comigo, e acima de tudo Deus, eu não tinha o que temer.

2016 começou com alegria, esperança e felicidade por eu ter conquistado algo que esperei pela resposta de Deus.. Conheci pessoas incríveis na sala de aula.. Eu pude compartilhar muito das minhas paixões naquele primeiro período, cada aula era um sonho, uma força a mais, uma expectativa que era cumprida. Aquele ano foi um ano de conquistas, mas também foi um ano difícil,  foi um ano de perdas. Foi um ano que eu passei novamente por algumas tribulações e momentos que minha fé vacilou.  

Eu sentia no caminho certo, mas me sentia distante ao mesmo tempo.. Eu tinha que estudar, e aos poucos o centro de tudo era o meu curso. Eu morava sozinha novamente, eu gostava de alguém que me fez  feliz mesmo não estando perto de mim (alguém que só o meu coração sabia do que eu sentia). Mas de certa forma não era minha casa,  não era a igreja que eu frequentei nos últimos 2 anos. E lá nessa nova jornada eu procurava me encaixar novamente m outro grupo, eu ia pra igreja aos domingo como é tradição, mas eu me sentia perdida, ou eu não sabia porque estava indo mas me sentia sozinha. 

MAS ELA ESTAVA LÁ COMIGO, NUNCA ME DEIXOU SOZINHA! 💜

Os últimos meses de 2016, acho que  grande maioria das pessoas acabaram  desejando sobreviver aquele ano, que se tornou uma prova pra muita gente. E aquele ano que começou com uma vitória, também me tirou uma das coisas mais preciosas. Minha filhínha.

 Depois do mês de setembro, eu tinha dificuldade com algumas situações constrangedoras com os colegas do curso que eu sonhei. Parece que as coisas não eram só aquela magia do começo. As pessoas começam a se fechar em grupos e te excluem, voce começa a chorar sozinha novamente porque começa a se lembrar do quando foi duro no fundamental e médio quando sentia a mesma coisa, e pensava que agora seria diferente. Voce sente a necessidade de se afastar de algumas, mas a vida também te aproxima de outras, e isso salva o ano de ter acabado assim como o pior. 

Foi naquele setembro que eu mudei de casa, pra um lar mais próximo da universidade (eu estudava a noite, e morava muitas ruas abaixo, não tinha medo, mas as vezes era muito sinistro voltar sozinha quando as aulas terminavam depois das 22h). Aquela pessoa que passou  a fazer presença na minha vida, no ano que havia passado, decidiu sumir. Eu chorei durante dias, eu me perguntava se eu tinha feito algo que o tenha afastado de mim, embora nunca tenha passado de amigos, aquela amizade (que pra mim era maior) já fazia parte de mim, e quando eu procurei, eu não o encontrei no momento em que mais precisava. Acho que só uma palavra amiga, mesmo distante teria me feito feliz naquele restante de ano.

Setembro se passou e outubro chegou.. Eu trouxe minha filhinha da casa da mãe pra ficar comigo novamente na casinha nova.. E então uns dias depois, talvez 2 semanas que ela passou comigo no novo lar. Me sentia completa, feliz, apesar de estar passando ainda por aquilo com as pessoas que eu me apeguei. Sentia que ela estava mais que feliz por estarmos juntas novamente.. Ela vivia pertinho o tempo todo. Saia pouco, dava as voltinha que todo gatinho costuma sair a noite, mas sempre que eu acordava ela estava lá no pézinho da cama me esperando. Até que um dia acordei e ela não estava, e tudo aconteceu e partiu meu coração.. Eu a encontrei, e eu não acreditava.. Nem foi porque ela estava doente, foi por causa da maldade de algum 'ser humano' ela foi envenenada. E eu chorei aquele dia, eu chorei tanto que minha cabeça doía.. Eu enterrei minha melhor amiguinha, filha e companheira naquele dia de outubro que eu queria voltar no tempo e deixar as janelas fechadas pra que ela vivesse mais um tempo comigo.

UMA EU SEM A COMPANHIA DA MELHOR GATINHA DO MUNDO

Eu estava mais uma vez sozinha, mas ali Deus colocou pessoas que naquele dia ficaram comigo. Minha novas vizinhas e amigas, ficaram lá comigo e me ajudaram a não chorar tanto. Só que eu chorava pelo mês que passou quase inteiro quando eu lembrava que eu não ia mais ver minha pequenininha. Eu só queria entender porque alguém tão sem coração tivera coragem de tirar ela de mim, eu fiquei brava por alguns dias eu pensei em sair e acusar os prováveis culpados e denunciar, mas minha mãe foi passar uns dias comigo e me aconselhou a não me meter com isso, pois nada que eu fizesse ia trazer ela de volta pra mim. 😿💔

Essa novas amigas salvaram o restinho do ano que mais me fizera bem e ao mesmo tempo tanto me causou dor. Eu estava ali sem ela, mas como um presente de Deus, eu não fiquei sozinha. Ele nunca me deixou ficar sozinha. Aquele ano eu fiquei dividida, eu sentia falta de Deus na minha vida, de ter amigos que eu sentisse a Sua Presença. eu queria pertencer a um grupo, eu queria ouvir da Sua Palavra e queria que Aquele Amor me completasse outra vez. Foi quando eu conheci as meninas do grupo, da célula, por ter conhecido elas, algo me fez bem, me fez sentir que tinha o que precisava. 

E eu estou aqui, nesses primeiros meses de 2017, NÃO TENHO UMA PARTE MAIS QUE IMPORTANTE DA MINHA VIDA COMIGO (MINHA SHANDYA), mas eu estou tentando fazer as coisas certas novamente. Eu rezo a Deus que ela esteja com Ele e que encha o céu com alegria e a luz que ela me trazia. E agora já se passaram 4 meses desde que tudo isso aconteceu, e eu adotei a Nina que é uma dog, e me ajuda a ficar mais feliz e forte, mas a minha filhinha sempre vai estar no meu coração. Ela passou por tudo ao meu lado, e as vezes eu ainda choro e penso em como eu gostaria que ela vivesse tantos anos quanto o Shandy que tem 10 anos (nosso primeiro gatinho, o senhor idosinho), e queria que ela tivesse presente comigo pra me ajudar a conquistar meus sonhos, mas eu entendo que as vezes as coisas na vida tem um momento e um motivo de serem com são; as vezes não é da vontade de Deus, mas nós fazemos escolhas, e essas novas escolhas ao mesmo tempo que nos dão algo, também tiram algo e não dá pra evitar. É assim, é a vida! É viver.. É ter a certeza de que as coisas estarão bem em um momento, mas em um outro voce vai ter que ser forte e enfrentar o que vier. 

(Shandya e Mamãe Mym / melhor amiga / a amizade que voce respeita) 💬
 EU SEMPRE VOU TE AMAR, MÃEZINHA! Eu acho que esse post é muito mais pra eu conseguir tirar de dentro de mim tudo o que eu tinha medo, porque de alguma forma eu não queria me despedir de ti de verdade.. mas fica aqui um pedaço da minha história que nesses quase 4 aninhos que viveu, voce foi tao importante e essencial, e me ajudou a escrever.. Me deu forças e não mediu esforços pra me fazer feliz. Eu queria ter te protegido, eu queria ser mais corajosa, eu queria ter sido melhor, mas eu não consegui. Isso não é um despedir pra sempre, porque eu sei que em algum lugar, um dia eu espero que voce esteja lá com Jesus, e eu te encontre junto com todos que amamos e não conseguimos evitar que se vão.
Se voce acredita que esses pequenos seres de Deus muitas vezes são anjos na vida da gente, então, voce entenderá tudo o que eu falei até aqui. Obrigada se voce leu, e  mesmo se voce não acredite, mesmo assim voce compreende.. Obrigada de coração! 

3 comentários:

  1. É muito muito triste perder um bichinho! Já tive muitos na minha vida e os amei como mãe também... nutro esse tipo de sentimento por qualquer animalzinho que eu cuide ou tenha convivido. Entendo completamente a sua relação com a gatinha mais fofa desse mundo, a gente sente, a gente cuida, a gente ama!
    Tenho certeza que a Shandya sabia do seu amor e carinho e fico muito triste por saber que a partida dela não foi por causas naturais. Eu também me indigno e me revolto com esse tipo de coisa, pessoa que faz isso não é um ser humano. Mas, como a sua mãe aconselhou, as vezes é até perigoso ir atrás disso, ainda mais se não há como provar de fato.
    Não fazia ideia das mudanças que você enfrentou nesses ultimos anos. Fico feliz que tenha procurado tratamento eu também fiz isso e me sinto muito melhor, apesar de ter ficado doente, com algo que quase me levou ano passado (acho que você acompanhou parte da minha história com a trombose cerebral) acho que a gente sempre tem que ver o lado bom das coisas.
    Tudo gera aprendizado e tenha certeza, muitas pessoas acabam se afastando da gente nessa vida, mas as que permanecem ao nosso lado, são as únicas que merecem o nosso sentimento e atenção!
    Pode contar comigo, tá?
    A gente é amiga no FB pode me chamar se precisar <3
    Beijos!
    Colorindo Nuvens

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    1. Oh, Dai! Eu sei sim de uma parte da sua luta, e sinto como se já conhecesse por entender uma parte da luta que temos que enfrentar as vezes na vida.(mesmo sento de alguma forma diferente, quando a gente passa por uma dor, a gente passa a compreender a do outro)

      Obrigada pelo apoio, e pelas palavras sinceras de ânimo e amor que sempre sinto receber de voce. <3

      (Conte comigo sempre que precisar também! Estarei bem pertinho, a um facebook de distância..)haha mil e um beijos.

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