27/06/2018

O Confidente (Héléne Grémillon)

O Confidente

O livro se passa em París e em pequenos vilarejos nos arredores da cidade, mais ou menos no período da segunda guerra mundial, quando os alemães invadiram París. Mas o foco principal do livro não é a guerra em si, mas o desenrolar de um triangulo amoroso meio difícil para o leitor imaginar. O livro se alterna entre presente e passado, tendo no presente (1975 é passado, mas é como se fosse a atualidade da personagem que vai receber as cartas e entender toda a história complicada de sua origem e nascimento). A personagem presente é Camille, jovem editora grávida e que havia perdido a mãe a poucos dias antes de começar receber cartas anônimas de um correspondente que assinava por Louis.

No inicio das cartas que vamos acompanhando para descobrir o passado que a própria Camille sequer imaginava existir, vemos Anne e Louis ainda pequenos e quando se tornaram inseparáveis, o típico garotinho que se apaixona pela melhor amiga, e assim passam os anos, crescem juntos, até a adolescencia. Quando numa mansão so vilarejo que cresceram, mudam-se uma nova família, na verdade apenas um jovem casal recem casado e apaixonado, ainda sem filhos. 

Eram Elizabeth e Paul, os futuros pais de Camille, mas que nas cartas para Camille, Louis apenas se refere a eles como os sr. e sra. M. Talvez por Camille ainda não poder saber a verdade, que vai sendo revelada a ela e ao leitor ao mesmo tempo. Foi um aspecto interessante o livro seguir esse modelo de leitura, é como se fôssemos Camille, e essas cartas também fossem direcionadas a nós.  

Esse livro, ficou por mais de um ano guardado, quando eu tinha muitos livros pra ler e uma ressaca literária que durava quase um ano, só esse ano nos 3 primeiros meses consegui ler mais livros que em todo o ano passado (2017 quando o compre por acaso por estar de promoção em uma feira do livro na cidade). O fato é que me impressionou muito  me deixou muito aflita a história toda, ao mesmo tempo que presa a ele. Tanto pela descrição do periodo da guerra quanto pra que pudesse descobrir os mistérios para chegar ao passado de Camille, o passado ocultado pela mãe que acabara de falecer.


"Se o amor é um princípio misterioso, o desamor é ainda mais. Conseguimos saber porque amamos, mas nunca exatamente porque deixamos de amar"

Não vou contar o que exatamente aconteceu, claro, pois isso seria imperdoável para quem tenha a curiosidade de lê-lo. Eu só queria aqui compartilhar alguns pontos de vista e percepções que fez com que me desse conta com essa estória. E o assunto principal do livro é a maternidade, tanto de Camille por estar ao mesmo tempo esperando um filho, e descobrindo como foi a história até que ela viesse ao mundo. 

Me dei conta de como é o sofrimento de alguém que tem tudo na vida, como a mãe de camille tinha, tinha um bom marido que a amava, e tinham condições, era praticamente tudo que se poderia querer, mas não tinha condições físicas de poder das um filho ao homem que amava um detalhe que seria muito importante pra dar continuidade a uma família, principalmente naquela época. E o até que ponto poderia chegar uma pessoa a ficar tão obcecada pelo que não tem, a ponto de se deixar perder de si? 

Foi  no meio disso tudo que entrou Anne, ainda adolescente, a prestar um favor a essa mulher desesperada por um filho. Essa mulher abriu mão de todo amor até do homem que amava para ter essa filha. Você talvez a ame, talvez a odeie, mas irá descobrir todos os motivos que a levaram a fazer tudo o que fez, inclusive a traição de duas pessoas nesse triangulo que em meio aquele desespero era tudo que ela menos esperava. Nenhuma mulher no mundo suportaria.

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